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Karen Alma
Artigo

Bursite Trocantérica (Dor no Quadril): Alívio duradouro com ondas de choque

30.09.2026

Resposta Rápida

Ondas de choque podem acelerar e consolidar a melhora na síndrome da dor trocantérica quando integradas a um plano ativo de reabilitação que corrige sobrecargas do quadril. Diagnóstico clínico preciso, fortalecimento do glúteo médio e mínimo, manejo de carga e atenção às contraindicações são fundamentais. O Núcleo Alma propõe avaliação integrada e protocolos individualizados, com evidência favorável especialmente em casos persistentes.

Artigo Completo

A terapia por ondas de choque pode oferecer alívio duradouro em parte dos casos de bursite trocantérica, especialmente quando integrada a um plano ativo de reabilitação que corrige sobrecargas do quadril. Diferente de recursos que apenas modulam a dor, as ondas de choque estimulam processos biológicos de regeneração e reorganização tecidual, favorecendo a recuperação funcional de forma não invasiva.

Por que isso importa: a dor lateral do quadril costuma ser multifatorial e recorrente quando tratada de forma isolada. Unir diagnóstico preciso, exercícios terapêuticos e ondas de choque cria uma rota mais consistente para reduzir a dor, restaurar movimento e reconquistar autonomia.

Bursite trocantérica não é apenas a bursa

Embora o nome mais popular seja bursite trocantérica, muitos casos envolvem um conjunto de alterações conhecido como síndrome da dor trocantérica maior. Isso inclui irritação da bursa, tendinopatia dos tendões do glúteo médio e mínimo e, por vezes, atrito mecânico aumentado na região do grande trocânter. Em outras palavras, o problema raramente é um só tecido. É um desequilíbrio de carga que se manifesta na lateral do quadril.

Onde dói e por que dói

A região dolorida costuma ficar sobre a proeminência óssea lateral do quadril, o grande trocânter. A dor piora ao deitar sobre o lado afetado, ao subir escadas, caminhar longas distâncias, correr, permanecer em pé por muito tempo ou ao cruzar as pernas. Esses gestos aumentam a compressão dos tendões glúteos contra o osso ou elevam a tensão por esforço repetitivo. Com o tempo, surge inflamação da bursa e sofrimento do tendão, perpetuando a dor.

O papel do glúteo médio e mínimo

Os tendões do glúteo médio e mínimo estabilizam a pelve durante a marcha e em atividades de apoio unipodal. Quando apresentam fraqueza, sobrecarga por treinos mal periodizados, alterações da mecânica de corrida ou do padrão de caminhar, sofrem microlesões que alimentam um ciclo de dor. Essa combinação de compressão mais tração é a base da tendinopatia glútea associada à bursite trocantérica, descrita em revisões clínicas contemporâneas e diretrizes de prática (BMJ Best Practice, 2023).

Como chegamos ao diagnóstico com precisão

O diagnóstico é essencialmente clínico, realizado por meio de história detalhada e testes específicos. A boa notícia é que, quando a avaliação é criteriosa, geralmente não há necessidade de exames complexos iniciais.

Avaliação clínica integrada

Entrevista estruturada para mapear padrões de dor, atividades que agravam e fatores de risco como treinos recentes, mudanças de rotina e qualidade do sono. Testes que reproduzem a dor lateral do quadril por compressão e carga seletiva, como apoio unipodal mantido, abdução resistida e palpação direcionada. Análise funcional do movimento, incluindo controle lombo pélvico, alinhamento do joelho e tornozelo, cadência da marcha e padrão de corrida quando relevante. Triagem de outros geradores de dor na coluna lombar, sacroilíaca e joelho que possam contribuir para o quadro.

Quando a imagem é útil

Ultrassom e ressonância magnética podem confirmar irritação da bursa e alterações nos tendões glúteos quando há dúvida diagnóstica, dor persistente ou necessidade de refinar a estratégia terapêutica. Radiografias auxiliam a excluir outras causas de dor no quadril. Esses exames devem dialogar com a clínica. Uma imagem alterada sem correlação com a avaliação funcional não deve guiar, sozinha, o tratamento.

Diferenciais que precisam ser excluídos

É importante afastar outras causas de dor lateral ou profunda no quadril, como osteoartrite, impacto femoroacetabular, fraturas por estresse, compressão do nervo cutâneo lateral da coxa, dor referida lombar e tendinopatias adjacentes. O raciocínio integrado evita terapias genéricas e pouco resolutivas.

Tratamentos conservadores que funcionam

A maior parte dos casos responde a um plano conservador estruturado. O eixo é combinar educação sobre manejo de carga, exercícios terapêuticos progressivos e, quando indicado, recursos analgésicos não invasivos.

Educação e manejo de carga

Ajustar posições mantendo o quadril em alinhamento, especialmente para dormir — uma almofada entre os joelhos reduz compressão quando deitado de lado. Evitar cruzar as pernas e longos períodos sentada sem mudar de postura. Modular treinos ou caminhadas, reduzindo picos de volume e impacto enquanto o tecido se recupera. Escolher calçados adequados e revisar a mecânica de corrida quando necessário.

Exercícios para força e controle

O tratamento ativo progride da redução de dor para ganho de força e estabilidade da pelve. Abduções de quadril, variações de ponte, passos laterais com elástico, controle em apoio unipodal e trabalho de cadeia lateral são exemplos frequentes, sempre dosados conforme tolerância e objetivos. Em estudo randomizado que comparou educação mais exercícios com infiltração de corticoide e conduta expectante em tendinopatia glútea, o protocolo ativo apresentou melhores resultados sustentados no tempo, reforçando o valor da reabilitação estruturada (Mellor et al., BMJ, 2018).

Controle de dor sem dependência

Analgésicos podem ser prescritos pelo médico quando apropriado. Recursos como crioterapia, terapia manual e modalidades físicas oferecem alívio transitório para viabilizar o plano ativo. A infiltração de corticoide pode reduzir dor por curto prazo em alguns casos, porém seu benefício tende a ser menos duradouro do que a reabilitação bem conduzida, motivo pelo qual costuma ser reservada para situações específicas e sempre dentro de uma estratégia de recuperação funcional mais ampla (Mellor et al., BMJ, 2018).

Regeneração ativa com ondas de choque no tratamento da bursite trocantérica

A terapia por ondas de choque, conhecida como ESWT, vem ganhando espaço como ferramenta de medicina regenerativa não invasiva. Ela não apenas reduz a dor como estimula processos celulares de reparo, ajudando tecidos sobrecarregados a saírem de um ciclo inflamatório crônico para um ambiente de recuperação ativa.

Como as ondas de choque funcionam

Mecanotransdução: o estímulo mecânico das ondas acústicas é convertido em sinais bioquímicos que ativam vias de reparo celular. Neovascularização e angiogênese: promove formação de novos vasos, melhorando a oxigenação e a nutrição local. Liberação de fatores de crescimento: eleva mediadores como VEGF e eNOS, favorecendo regeneração tecidual. Recrutamento celular: atrai células progenitoras para o sítio de lesão. Modulação da inflamação crônica: reorganiza o processo inflamatório, reduzindo substâncias pró-nociceptivas e facilitando a cicatrização ordenada. Esses mecanismos estão descritos em revisões de referência na área de ondas de choque e ortopedia regenerativa, com documentação de efeitos analgésicos e biológicos em tecidos musculoesqueléticos (Wang, 2012; Schmitz et al., 2015).

Tipos de ondas de choque e aplicações

Ondas de choque focadas: maior penetração e precisão para estruturas mais profundas. Ondas de choque radiais: dispersão maior, úteis para áreas superficiais e campos mais amplos. Tecnologias de foco amplo: projetadas para cobrir regiões maiores com conforto, úteis em quadros com dor difusa ao longo da banda lateral do quadril. A escolha depende da profundidade do tecido alvo, da sensibilidade da área e dos objetivos clínicos. Em bursite trocantérica, a decisão é personalizada, considerando tendões glúteos e bursa como possíveis alvos, sempre em conjunto com o plano de exercícios.

O que diz a evidência para bursite trocantérica

Revisões sistemáticas e estudos clínicos controlados relatam melhora de dor e função com a terapia por ondas de choque em quadros de síndrome da dor trocantérica maior, especialmente quando associada à reabilitação ativa e após insucesso de estratégias conservadoras iniciais. O benefício costuma ser mais perceptível do curto ao médio prazo, com perfil de segurança favorável quando respeitadas as indicações e contraindicações (Speed, 2014; Mani Babu et al., 2015; Schmitz et al., 2015). Vale destacar que educação e exercícios permanecem a base do cuidado, e as ondas de choque atuam como acelerador biológico dentro dessa estrutura.

Como é uma sessão de ondas de choque no Núcleo Alma

Cada paciente é acompanhado em uma jornada integrada que começa pela confirmação diagnóstica e pela definição de objetivos. A sessão de ondas de choque segue uma lógica clara e segura.

Mapeamento de pontos dolorosos e estruturas alvo, sempre correlacionando achados clínicos e funcionais. Ajuste cuidadoso da intensidade, frequência e número de pulsos para equilibrar efetividade e conforto. Aplicação em campo controlado, com comunicação contínua para checar sensações e tolerância. Orientações pós-sessão para manejo de desconfortos leves e para continuidade do plano ativo de exercícios.

O procedimento é ambulatorial, dura poucos minutos e não requer afastamento prolongado de atividades usuais. Eventualmente pode ocorrer sensibilidade local passageira. Em geral, planeja-se um ciclo curto de sessões em intervalos semanais, com reavaliações periódicas para mensurar evolução e ajustar o programa. É comum integrar as ondas de choque ao treinamento terapêutico no mesmo período para potencializar os ganhos funcionais.

Para quem é indicado e quando não usar

A indicação de ondas de choque para bursite trocantérica é considerada quando há dor lateral do quadril persistente, sinais clínicos de tendinopatia glútea e bursa irritada, e resposta limitada a medidas iniciais como ajuste de carga e exercícios em baixa intensidade. Também pode ser útil em quadros crônicos nos quais a dor e a função estacionaram.

Contraindicações e cautelas

Áreas com tumores malignos ativos. Sobre pulmões ou alças intestinais. Próximo a placas de crescimento em crianças e adolescentes. Após infiltração recente de corticoide na região. Distúrbios graves de coagulação e uso de anticoagulantes devem ser avaliados individualmente. Infecções locais, feridas abertas e gestação exigem avaliação específica. O profissional responsável sempre revisa histórico clínico, medicamentos e exames antes de indicar o recurso.

O que esperar de resultados e como sustentá-los

É importante alinhar expectativas. Ondas de choque não prometem resultados imediatos ou universais. Em muitos casos, a melhora se torna perceptível ao longo de semanas, à medida que a dor reduz e o paciente avança no treinamento terapêutico. Para consolidar ganhos e reduzir risco de recidiva, três pilares fazem diferença.

Progressão inteligente de carga: fortalecer glúteo médio e mínimo, estabilizar pelve e treinar controle em apoio unipodal. Higiene de movimento: ajustar hábitos que sobrecarregam a região, como cruzar pernas, permanecer em posições compressivas e picos repentinos de treino. Integração do cuidado: combinar ondas de choque com exercícios e, quando necessário, recursos analgésicos supervisionados, além de correções biomecânicas que ataquem a causa.

Quando esse conjunto é seguido com constância, o alívio tende a ser mais sólido e, principalmente, acompanhado de ganho real de função e autonomia. Este é o objetivo central: não apenas silenciar a dor, mas devolver liberdade para caminhar, subir escadas, treinar e dormir bem.

O cuidado integrado do Núcleo Alma para dor no quadril

No Núcleo Alma, a jornada do paciente com dor lateral do quadril é conduzida por ortopedistas e fisioterapeutas que trabalham de forma integrada, com diagnóstico preciso e plano individualizado. Essa integração reduz ruído, acelera decisões e torna o caminho mais eficiente.

O que nos diferencia na prática

Consulta e avaliação funcional completas. Além da história e dos testes clínicos, utilizamos recursos como biomecânica 3D para analisar padrões de marcha e corrida quando relevante, dinamometria digital para medir força de abdução do quadril com objetividade e eletromiografia de superfície em casos selecionados para investigar recrutamento muscular.

Reabilitação ativa orientada para autonomia. O programa de exercícios é construído para evoluir carga com segurança, respeitar o tempo biológico de adaptação do tendão e treinar o que de fato importa para o seu dia a dia, do básico ao específico do esporte.

Terapia por ondas de choque quando indicada. Usamos protocolos baseados em evidência, ajustados à profundidade do tecido alvo e ao seu limiar de conforto, e acompanhamos de perto a resposta clínica para modular parâmetros e número de sessões.

Comunicação clara e acompanhamento próximo. Alinhamos expectativas, explicamos o racional das escolhas e monitoramos marcos de evolução. O paciente entende o que está acontecendo, participa ativamente do processo e percebe ganho de controle sobre o corpo.

Essa lógica de cuidado, unindo ciência, tecnologia diagnóstica e excelência humanizada, foi pensada para entregar mais precisão, menos fragmentação e um avanço consistente em direção à autonomia.

Perguntas essenciais respondidas de forma direta

Ondas de choque curam bursite trocantérica? Nenhuma terapia isolada garante cura. Ondas de choque são um recurso com base científica que pode acelerar e consolidar a melhora quando integradas a um plano ativo de reabilitação.

Dói para fazer? O procedimento pode gerar desconforto controlável durante a aplicação. Dosamos a intensidade e adaptamos a técnica para manter a sessão tolerável.

Quantas sessões são necessárias? Isso varia conforme dor, tempo de sintomas, sensibilidade e resposta ao tratamento. Em geral, planeja-se um ciclo curto com reavaliações periódicas para ajustes.

Posso treinar enquanto trato? Na maioria dos casos, sim, desde que a carga seja modulada. Ajustes temporários de volume, intensidade e terreno costumam ser suficientes.

E se eu já infiltrei corticoide? É possível tratar com ondas de choque, porém respeitamos um intervalo de segurança após infiltração recente e reavaliamos a estratégia global, priorizando reabilitação ativa.

Evidências e referências para aprofundar

Mecanismos e aplicações clínicas das ondas de choque em ortopedia: Wang CJ. Extracorporeal shockwave therapy in musculoskeletal disorders. Journal of Orthopaedic Surgery and Research, 2012.

Revisões sobre efetividade e segurança da ESWT em condições musculoesqueléticas: Schmitz C et al. Efficacy and safety of extracorporeal shock wave therapy for orthopedic conditions. British Medical Bulletin, 2015. Speed C. A systematic review of shockwave therapy for tendinopathies and soft tissue injuries. British Journal of Sports Medicine, 2014. Mani Babu S et al. Shockwave therapy for lower limb tendinopathies. American Journal of Sports Medicine, 2015.

Base do tratamento ativo na tendinopatia glútea: Mellor R et al. Education plus exercise versus corticosteroid injection versus wait and see for gluteal tendinopathy. BMJ, 2018.

Conceitos clínicos de síndrome da dor trocantérica maior e diagnóstico: BMJ Best Practice. Greater trochanteric pain syndrome, 2023.

Essas fontes convergem na ideia de que a reabilitação ativa é central e que a terapia por ondas de choque pode somar benefícios, principalmente em casos persistentes, com um perfil de segurança adequado quando bem indicada.

Próximos passos com segurança

Se você reconhece esses sintomas de dor lateral do quadril, o ponto de partida é um diagnóstico preciso para entender se o seu caso é bursite trocantérica isolada, tendinopatia glútea predominante ou uma combinação de fatores. A partir daí, construímos um plano que integra educação, exercícios e, quando indicado, ondas de choque. O objetivo é reduzir a dor com consistência, recuperar movimento e devolver autonomia ao seu dia a dia.

O Núcleo Alma está na Chácara Santo Antônio, em São Paulo, e reúne ortopedia, fisioterapia e tecnologia diagnóstica para conduzir essa jornada com clareza e acolhimento. Se a bursite trocantérica tem limitado o seu sono, a sua rotina de trabalho ou seus treinos, uma avaliação integrada é o caminho mais seguro para indicar o tratamento certo, no tempo certo, com a precisão que o seu quadril merece.

Perguntas Frequentes

1. O que é bursite trocantérica e como ela difere da síndrome da dor trocantérica maior?

A bursite trocantérica refere-se à irritação da bursa lateral do quadril, mas muitas vezes o quadro inclui tendinopatia dos tendões do glúteo médio e mínimo e aumento do atrito mecânico no grande trocânter. Quando essas alterações coexistem, o termo mais adequado é síndrome da dor trocantérica maior. Em suma, o problema costuma ser multifatorial e resultado de desequilíbrios de carga, não apenas de um único tecido.

2. Onde costuma doer e que movimentos pioram a dor?

A dor localiza-se sobre a proeminência lateral do quadril, o grande trocânter. Piora com deitar sobre o lado afetado, subir escadas, longas caminhadas, corrida, ficar em pé por muito tempo e ao cruzar as pernas. Esses gestos aumentam a compressão ou tensão dos tendões glúteos contra o osso, favorecendo inflamação e sofrimento tendíneo.

3. Qual é o papel do glúteo médio e do glúteo mínimo na bursite trocantérica?

Os tendões do glúteo médio e mínimo estabilizam a pelve durante a marcha e em apoio unipodal. Fraqueza, sobrecarga por treinos mal periodizados ou alterações na mecânica de marcha podem provocar microlesões e um ciclo de dor. A combinação de compressão com tração é a base da tendinopatia glútea associada à bursite trocantérica, conforme revisões clínicas e diretrizes (BMJ Best Practice, 2023).

4. Como é feito o diagnóstico com precisão?

O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado em história detalhada e testes específicos. Avalia-se padrões de dor, fatores agravantes e reproduzibilidade com testes como apoio unipodal mantido, abdução resistida e palpação dirigida. A análise funcional do movimento e a triagem de geradores de dor na coluna lombar, sacroilíaca e joelho também são partes importantes da avaliação.

5. Quando são indicados ultrassom, ressonância magnética ou radiografia?

Imagens são úteis quando há dúvida diagnóstica, dor persistente ou necessidade de refinar a estratégia terapêutica. Ultrassom e ressonância podem confirmar irritação da bursa e alterações tendíneas; radiografias ajudam a excluir outras causas. Importante: achados imagiológicos devem ser interpretados em conjunto com a avaliação funcional, e uma imagem alterada sem correlação clínica não deve guiar o tratamento isoladamente.

6. Quais tratamentos conservadores costumam funcionar para bursite trocantérica?

A base é um plano conservador estruturado que combina educação sobre manejo de carga, exercícios terapêuticos progressivos e, quando indicado, recursos analgésicos não invasivos. Medidas práticas incluem ajuste de posições ao dormir, evitar cruzar as pernas, modular treinos, escolher calçados adequados e fortalecer controle em apoio unipodal. Modalidades como crioterapia e terapia manual podem oferecer alívio transitório para viabilizar o plano ativo.

7. O que são ondas de choque (ESWT) e como elas atuam na bursite trocantérica?

A terapia por ondas de choque é um recurso não invasivo que pode reduzir dor e estimular processos biológicos de reparo. Mecanismos descritos incluem mecanotransdução, neovascularização e angiogênese, liberação de fatores de crescimento (por exemplo VEGF), recrutamento de células reparadoras e modulação da inflamação crônica. Essas ações favorecem a transição de um ciclo inflamatório crônico para um ambiente de recuperação ativa (Wang, 2012; Schmitz et al., 2015).

8. Quais são os tipos de ondas de choque e como se decide a melhor opção?

Existem ondas de choque focadas (maior penetração e precisão), radiais (maior dispersão, úteis para áreas superficiais) e tecnologias de foco amplo (cobertura maior para dor difusa). A escolha depende da profundidade do tecido alvo, sensibilidade local e objetivos clínicos. Em casos de bursite trocantérica, a decisão é personalizada, considerando tendões glúteos e bursa como possíveis alvos e integrando essa escolha ao plano de exercícios.

9. Quem pode ser candidato às ondas de choque e quais são as contraindicações?

A indicação costuma ser para pacientes com dor lateral persistente do quadril, sinais de tendinopatia glútea e resposta limitada a medidas iniciais como ajuste de carga e exercícios. Contraindicações e precauções incluem tumores malignos ativos na área, aplicação sobre pulmões ou alças intestinais, placas de crescimento em crianças e adolescentes, infiltração recente de corticoide na região, distúrbios graves de coagulação ou uso de anticoagulantes (avaliados individualmente), infecções locais, feridas abertas e gestação. A decisão clínica sempre revisa histórico, medicamentos e exames.

10. O que esperar de resultados e como manter os ganhos após as ondas de choque?

Melhora costuma aparecer ao longo de semanas e tende a ser mais consistente quando as ondas de choque são integradas a uma reabilitação ativa. Sessões são breves, com ajuste de intensidade e ciclos semanais comuns; pode haver sensibilidade local passageira. Para sustentar ganhos e reduzir recidiva, são fundamentais progressão inteligente de carga para fortalecer glúteo médio e mínimo, higiene de movimento para evitar compressões repetidas e integração contínua entre terapia manual, recursos analgésicos quando necessários e exercícios direcionados. O objetivo é reduzir a dor e restaurar função e autonomia, não apenas modular sintomas momentaneamente.

Principais Aprendizados

Bursite trocantérica costuma ser multifatorial: frequentemente faz parte da síndrome da dor trocantérica maior, envolvendo bursa, tendões do glúteo médio e mínimo e desequilíbrios de carga no quadril.

Os sintomas e gatilhos típicos incluem dor lateral sobre o grande trocânter, piora ao deitar sobre o lado afetado, subir escadas, caminhar longas distâncias, correr ou permanecer em pé por longos períodos.

O glúteo médio e mínimo desempenham papel central: fraqueza ou padrões de movimento alterados aumentam a sobrecarga e a tendinopatia, perpetuando a dor.

O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado em história detalhada, testes que reproduzam a dor e análise funcional. Exames de imagem — ultrassom e ressonância — são auxiliares quando há dúvida ou necessidade de refinar o plano terapêutico.

Entre os diferenciais importantes, é fundamental excluir artropatias, impacto femoroacetabular, fraturas por estresse, compressões nervosas e dor referida lombar, evitando assim tratamentos genéricos e ineficazes.

Abordagem Conservadora

A primeira linha conservadora é eficaz e inclui educação sobre manejo de carga, ajustes posturais e progressão de exercícios terapêuticos voltados à força e ao controle motor, com foco em abdução e estabilidade pélvica.

Para o controle da dor, recursos como crioterapia, terapia manual e analgésicos prescritos por médico podem viabilizar o programa ativo. A infiltração de corticoide pode oferecer alívio temporário, porém tende a ser menos duradoura.

Ondas de Choque (ESWT)

As ondas de choque representam um recurso não invasivo com mecanismos biológicos bem descritos — mecanotransdução, neovascularização, liberação de fatores de crescimento e modulação inflamatória — que pode acelerar e consolidar a melhora quando integrado à reabilitação ativa. Evidências científicas suportam seu benefício em casos persistentes, com destaque para estudos como Speed (2014), Schmitz et al. (2015) e Mani Babu et al. (2015).

Existem diferentes tipos de ondas de choque: focadas, radiais e tecnologias de foco amplo. A escolha é individualizada conforme a profundidade do alvo e a tolerância do paciente.

Quanto às indicações e contraindicações, o recurso é indicado em casos de dor lateral persistente com sinais de tendinopatia ou bursa irritada após insucesso das medidas iniciais. As contraindicações incluem tumores ativos, aplicação sobre pulmões ou órgãos, placas de crescimento abertas, infecções locais, distúrbios de coagulação e gestação, entre outras cautelas clínicas.

Expectativa de Resultados

A melhora tende a ocorrer ao longo de semanas e varia entre pessoas. Não há garantia de resolução completa com uma única modalidade terapêutica. Os melhores resultados emergem da integração das ondas de choque com progressão inteligente de carga, higiene de movimento e acompanhamento funcional contínuo.

Abordagem Integrada

A abordagem do Núcleo Alma une avaliação por ortopedia e fisioterapia, com uso de ferramentas como biomecânica 3D, dinamometria e eletromiografia quando indicado. A reabilitação ativa é orientada à autonomia do paciente, com aplicação de protocolos de ESWT baseados em evidência e ajuste contínuo ao longo do processo.

O passo mais importante é buscar avaliação profissional para diagnóstico diferencial e construção de um plano que una educação, exercícios e, quando indicado, ondas de choque — visando redução da dor, recuperação funcional e maior autonomia no dia a dia.

Agende uma avaliação integrada com a equipe do Núcleo Alma para identificar as causas da dor lateral do quadril e avaliar opções de reabilitação, incluindo ondas de choque quando apropriado.